Tuesday, March 17, 2009

Aviso

Ola, amigos No momento estou passando um periodo na Italia. Para saber noticias minhas e acompanhar essa experiencia, acessem www.zederochaamilanesa.blogspot.com, por aqui ou pelo link ao lado. (desculpem a falta de acentos, italiano nao os usa!!!!!) Grande abraço a todos

Thursday, November 27, 2008

Outro Zé

Ensaio para a Bala Perdida
serigrafia sobre lona
(270cm X 120cm)
Adão e Eva
desenho sobre placas de cerâmica (tabatinga e tauá)
(120cm X 120cm)

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Lembro-me que o Sante Scaldaferri fez um livro sobre José Tertuliano Guimarães, pintor baiano que enxergou além das clarabóias dos ateliês parisienses, considerado o precursor do moderno na Bahia.
E aqui estou: outro Zé, também ganhador de um prêmio que concede uma estadia na Europa para estudar numa academia de arte. Parece que pouca coisa mudou desde 1932!
Como todo desconfiado, após a euforia inicial de me ver notado depois de tanta labuta (tanta noite perdida, tanta tinta gasta, tanta vontade de desistir...) reflito sobre certas convenções do “mundo da arte”. Não sou nenhum intelectual – pelo contrário, fujo dessa concepção de que todo artista visual (não é mais plástico, viu?!) deve ser um poço de teoria – portanto meus questionamentos são simplórios e peço a complacência de todos.
Interrógo-me sobre a competição envolvendo trabalhos de arte – atitude tão antiga quanto os prêmios de viagem à Europa. Acho incongruente estabelecer gradações de valor para algo tão subjetivo; tal julgamento invariavelmente passa por critérios de gosto e de tendências. Creio que o termo sorte (estar com o trabalho certo, na hora certa) pode ser bem aplicado à minha premiação. No salão que me recompensou pude apreciar trabalhos excepcionais que (a meu ver, injustamente) nem sequer foram mencionados dentre todas aquelas categorias.
No momento, estou institucionalizado (pelo menos regionalmente): tenho imagens em catálogo, meu nome saiu nos jornais, dei entrevistas... Citando Jacques Aumont, existe uma “definição institucional das artes, segundo a qual é obra de arte o que é socialmente reconhecido como tal, pelo menos no interior de um meio especializado, independente das pretensas qualidades intrínsecas do objeto-suporte”. Contudo, reforço meu antiquado romantismo ao acreditar numa alma de artista, na expressão e no sentimento, na arte “retiniana”, no valor do trabalho manual, ciente de que tudo que faço é sempre mais do mesmo.
A novidade talvez consista no meu atual sentimento de quase TERROR só de pensar em passar tanto tempo longe. Desculpem-me todos que almejaram esse prêmio, que acreditam que estudar no exterior é o grande caminho para uma carreira. Como nunca saí para além das fronteiras baianas, estou muito temeroso do que me aguarda no velho mundo: frio, poluição, o preconceito dos europeus (sou “latino-americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior”!), preços altíssimos (amigos já me alertaram para o fato de que Milão é a cidade mais cara de Itália!), desconhecimento de qualquer língua que não a portuguesa, saudades do beijú de Toínho e da farinha de mandioca de Quelêu.
Por fim, só que mais importante que tudo, a lição que aprendi com a música: o valor do trabalho conjunto. Portanto, meu enorme agradecimento a todos que me ajudaram nesses últimos tempos a realizar meus sonhos. Em ordem alfabética:
D. Nelma – por tentar entender o filho torto; Edgard Oliva– pela amizade e as lições de fotografia; Evandro Sybine – pela consciência da gravura; Ieda Oliveira – por me “botar pilha”; Lore – minha irmã, pelo exemplo de ética; Lôro – complicado como todo carpinteiro, mas caprichoso como poucos; Mestre Duda – pelo silêncio; Nelson Magalhães Filho – pelo início de tudo; PauloTabosa – pelas ótimas aulas de serigrafia; Sarah Hallelujah – pela paciência e as aulas de cerâmica; Vinícius S.A. – por me emprestar sua fiação na hora do aperto; Vanessa – por tanta coisa que seria impossível enumerar.

Wednesday, August 20, 2008

Desenhos

Risco ____________

série Risco (5)

carvão sobre lona (220X2160cm) 2008

série Risco (4)

carvão sobre papel (384X132cm) 2008

série Risco (detalhe)

série Risco (detalhe)

série Risco (1)
carvão sobre papel (66X288cm) 2008
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série Risco (detalhe)

série Risco (2)

carvão sobre papel (66X288cm) 2008

série Risco (detalhe)

série Risco (detalhe)

série Risco (3)
carvão sobre papel (66X288cm) 2008

RISCO é uma série de desenhos executados com a técnica de carvão sobre lona ou papel, representando automóveis destruídos em acidentes.

Foram usadas, como referências, fotografias de autoria do próprio artista, realizadas através de diversas visitas a postos de fiscalização rodoviária, oficinas mecânicas e em flagrantes obtidos nas estradas e ruas das cidades.

A técnica do carvão permitiu gestualidade na feitura de traços, manchas e texturas que resultaram no efeito expressivo dos desenhos, sendo poupados os detalhes. Vistos de perto, são apenas um amontoado de rabiscos e garatujas; a certa distância mantém-se o aspecto geral dos objetos representados.

Retorcidos e destroçados, esses automóveis são sobras, restos que ao serem avistados na beira de uma estrada, despertam uma estranha curiosidade. Quem estava ali? Como aconteceu o acidente? Quantas histórias envolvidas? Talvez esse fascínio aflore apenas porque esses objetos, agora inúteis, transformaram-se em índices da iminência da morte.

Thursday, July 31, 2008

Exposição em Cruz das Almas

Recentemente, dei início a uma mostra na galeria da Casa de Cultura de Cruz das Almas, cidade situada no recôncavo baiano.
A muito não expunha em minha terra natal e, levado pela liberdade de ser o artista, o curador e o montador da exposição, escolhi um conjunto heterogêneo de obras que representatasse e abarcasse a variedade de caminhos que atualmente busco em meus trabalhos.
Eis o texto de apresentação para os visitantes:
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Artistas que pintam as mazelas de seu tempo são uma constante na história das artes. Sem fugir à regra, os trabalhos de Zé de Rocha estão repletos de violência, erotismo e crítica, no que ele denomina de Imagens de Impacto: choques visuais causados pela força de sua técnica e crueza de seus temas.
Cruzalmense, nascido em 1979, desde cedo seus traços demonstraram expressividade. Mas foi nas aulas com o conterrâneo Nelson Magalhães Filho que teve sua primeira orienção artística e foi apresentado às fortes pinturas dos expressionistas alemãs e dos ingleses Francis Bacon e Lucien Freud. Em 1997 ingressou na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, onde passou a desenvolver outras técnicas e pesquisas.
Através de um convite da direção da Casa de Cultura Galleno d'Avelírio, a presente mostra, além das novas pinturas, traz um apanhado de suas recentes experiências. Nos desenhos à carvão do tríptico Risco, automóveis destruídos em acidentes são tratados de forma quase abstrata por meio de rabiscos e borrões. Nas gravuras da série denominada Bala Perdida, o próprio autor assume o papel de todos os personagens de uma cena violenta, fragmentos de um fato, cada vez mais comum, em que alguém é atingido em local público e morre, atraindo a curiosidade dos passantes. As primeiras experiências com fotografia começaram com a construção de esculturas perecíveis de conotação erótica. Essas esculturas foram fotografadas e formam o conjunto Permutáveis, alegoria das transformações ocorridas na sexualidade contemporânea.
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Em meio às atribulações e dificuldades que compõem o dia-a-dia de quem decide viver seus sonhos, meus sinceros agradecimentos a todos que ajudaram na realização dessa exposição: D. Nelma, Vanessa, Graça Sena, Kitty, Wellington.

Saturday, December 22, 2007

Reflexões sobre pintura

De agora em diante, sempre que for solicitado a afirmar minha “profissão”, responderei que sou PINTOR.
Nem Artista Plástico, nem (de acordo com a terminologia atual) Artista Visual. Acho irônico que, em meio ao “pós-pós-pós(...)-modernismo”, onde tudo é estetizado e/ou estetizável, onde os pensadores apontam a morte da Arte(vide Baudrillard), surjam tantos “artistas”. É só ligar o aparelho de televisão e comprovar.
Mas, que interesse para o “público” pode haver em deter-se a olhar pinturas quando, a sua volta, um infinito número de imagens mais vibrantes e atrativas se faz presente de forma muito mais dinâmica? Que validade a linguagem da pintura pode ter nesse cenário?
Confuso entre caminhos, tão barroco como pós-moderno, sem reconhecer sentido tanto para a pintura como para toda Arte, flertei com a possibilidade de abandonar os pincéis e as tintas. Tal alternativa não foi de todo descartada, mas talvez não seja executada de forma tão drástica. Abandonar a pintura? Decerto não conseguiria – ela faz parte de mim. Mas temo que tenha de abandonar a pretensão de querer fazer dela uma forma de subsistência.
A pintura não é hoje como foi para os modernistas, instrumento belicoso em prol da contestação ao conservadorismo, da criação de um novo mundo. Talvez a pintura, agora, seja refúgio para pintores e apreciadores da pintura. Lugar onde o tempo, novamente, possa ser tempo de magia; onde o olhar estabeleça relações significativas. Atitude de desaceleração, de concentração, de entrega, de um conhecimento diferenciado, mais irracional e, portanto, mais profundo, pois sua apreensão é direta.
Pintar é atitude pontual de resistência. É estar consciente do momento histórico, do fluxo que nos carrega e poder, com sua prática, manter certa autonomia. Pintar é, dentro do imenso aparelho de relações de produção e consumo de signos que é a atualidade, atividade onde o indivíduo pode se supor livre. Atualmente, tanto na Arte quanto na vida, “liberdade é jogar contra o aparelho. E isto é possível.” (Vilém Flusser).

Bala Perdida 1

serigrafia sobre lona plástica - 2007

Bala Perdida 2

serigrafia sobre lona plástica - 2007

Bala Perdida 3

serigrafia sobre lona plástica - 2007

Zé de Rocha X Zé da Rocha

Que os céus me ajudem, mas a questão é que não consultei nenhum numerologista e agora sofro com o permanente equívoco relacionado ao nome que escolhi como alcunha artística.
De forma verbal ou impressa, estão promovendo um sujeito chamado Zé dA Rocha, em detrimento ao pobre escriba que vos apela: Zé dE Rocha.
Venho aqui elucidar quão enorme é a distância entre um e outro.
Corrijam-me os gramáticos, mas acho que o artigo “a” adicionado à preposição que une o nome Zé ao sobrenome Rocha implica uma relação de proveniência, de lugar. Zé da Rocha, pois, é o indivíduo que vem da rocha, que é natural da rocha ou que mora na rocha. Definitivamente, não moro numa caverna e, mesmo sendo antiquado, não sou troglodita.
O mesmo artigo aponta uma relação de posse. Zé da Rocha, então, é o Zé que pertence à Rocha por parentesco ou outra relação de poder.
Diferentemente, a preposição “de” usada sem a adição do artigo definido demonstra o material, a substância formadora do objeto. Copo de vidro, jarro de barro. Zé de Rocha é feito de rocha. É o indivíduo firme, plantado no chão, resistente, perseverante.
Claro que a imagem da rocha é uma metáfora e acredito que qualquer psicólogo pode ver que a uso como marketing pessoal, visto que as qualidades que ela aponta servem, na sua maioria, para encobrir meus defeitos: teimosia, pessimismo, cabeça-dura.
Por fim, meu protesto ao preconceito. Sou José, é inequívoco, não nego. Mas prefiro o carinhoso e sonoro (diga-se de passagem) apelido que, desde a mais tenra idade, sou acostumado a ouvir: ZÉ! Pois outro erro freqüente é estamparem nos impressos o nome artístico de José da Rocha. Imagino que esse fato deva-se a um certo ranço elitista. Por que um artista não pode ser chamado de Zé? Será que o Chico Anísio teve esse problema? E o Jô Soares, que é um Zé disfarçado? Tanto se fala da valorização das raízes culturais nacionais e não posso ser simplesmente Zé.

Permutável 1

fotografia digital - 2007

Permutável 2

fotografia digital - 2007

Permutável 3

fotografia digital - 2007

Permutável 4

fotografia digital - 2007

Friday, September 07, 2007

Gravuras em metal

Não acredito em salvação.
Podem me chamar de pessimista. Como todo pessimista, rebato: - Sou, na verdade, um realista! Porque é preciso muita fé na humanidade pra acreditar que vamos mudar nosso modo de vida antes que a natureza esteja exaurida.
Há muito tempo que separo meu lixo reciclável e já decidi que não possuirei automóvel nem terei filhos (afinal, o mundo está desse jeito devido ao excesso de bichos-homens que consumem e poluem - crédulos de sua perfeição acima dos outros seres).
Contudo, insisto em produzir minhas imagens com métodos “antiquados” e utilizando materiais suspeitos.
Nessa atualização, por exemplo, mostro minhas primeiras experiências com gravura em metal, uma técnica que utiliza chapas de cobre como matriz para que se possa reproduzir um mesmo trabalho várias vezes – coisas do primórdio dos nossos tão queridos livros. Viva Gutenberg! Gastei tinta, solventes a base de petróleo, álcool, sais de ferro, uma pequena floresta de papel... e estou disposto a vender algumas cópias por Dez Real cada – promoção, coisa do Capitalismo!
Não tem jeito: sei que vou pro inferno!

O brinquedo de Vanessa
água-forte (21X15cm) 2007

S/T
maneira-negra (21X15cm) 2007

Origami
água-forte (21X15cm) 2007

Auto-retrato
toner, buril, ponta-seca (15X21cm) 2007

Wednesday, July 11, 2007

Texto de apresentação

Há algum tempo noto, em minhas pesquisas na internet, a ausência de informações sobre vários artistas. Gente muito boa aqui da Bahia ou mesmo de outros países, com trabalhos excelentes, que não possuem ao menos uma boa reprodução circulando pela rede. Onde encontrar imagens de Rener Rama, Anderson, Walden, Adalberto? E o site de Juarez Paraíso? Ouvi dizer que hoje em dia a pessoa É aquilo que se acha na busca do Google! Fiquei apreensivo! Até então eu não existia! De nada valeriam meus percalços, minha busca estética, minhas idas e vindas à Escola de Belas Artes (aliás, ainda não sou graduado: menti no perfil) e meu constante relacionamento com esse troço chamado Arte se eu, simplesmente, não tivesse uma existência virtual. Existência essa que, por ser “virtual”, suponho, também não exista! Ou seja: dá tudo na mesma! Mas, já que é desse modo que as coisas funcionam ultimamente, vamos lá: - No sexto dia (pois no sétimo vou descansar!), numa espécie de auto Big Bang, crio a mim mesmo a minha imagem e semelhança no mundo da internet (mas “ao vivo” sou mais bonito!). Eis, irmãos, meu espírito consubstanciado em carne e sangue virtuais! Tomai e comei (mas com jeitinho, pra não doer!). Antes que o mundo acabe num apocalipse de poluição e aquecimento global, não posso deixar de frisar que, felizmente, houve o exemplo de Nelson Magalhães Filho - mestre, conterrâneo e incentivador. Em seu Blog (www.anjobaldio.blogspot.com) podemos encontrar, além de pinturas e desenhos, textos e poemas desse artista múltiplo. Também devo agradecer à Vanessa Cersil, designer com paciência para me explicar o pouco que sei sobre o trabalho com imagens no computador. São meus arcanjos, anjos baldios desse Adão cibernético que, se encontrar a maçã, vai comê-la com pimenta, à moda baiana!

Cabeça n°1
óleo sobre papelão (40X60cm) 2006

Cabeça n°2
óleo sobre papelão (50X40cm) 2006

Cabeça n°3
óleo sobre papelão (50X40cm) 2006

Cabeça n°4
óleo sobre papelão (60X40cm) 2006
Cabeça n° 5
óleo sobre eucatex (70X50cm) 2008

Cabeça n°6

óleo sobre eucatex (70X50cm) 2008

Cabeça n° 7

óleo sobre papelão (40X35cm) 2007

Bocas
óleo sobre papelão (50X70cm) 2006